15 de outubro de 2012

Só uma fase


O mais ridículo de acharmos que algo nunca vai acontecer conosco é quando descobrimos, no momento exato em que acontece, que não estávamos nem um pouco vacinados a respeito daquilo, justamente pelo motivo óbvio de sempre termos negado a possibilidade.
Tal soberba não é permitida pelas aventuras da vida. A sensação de derrota total é superável, muitíssimo provavelmente. Já a certeza de que encontraremos essa opção e superaremos os momentos negativos extremos, são uma faca de dois gumes. Pois procurar essa superação frustra quando não encontramos. É justamente disso que temos que fugir: frustração.

Todo ser humano consegue ser herói apenas até certo ponto, até aqueles que entraram para a história da humanidade como grandes vencedores. Alguns vão mais longe que outros, porém todos querem ter uma força que não é comum a qualquer ser. Onde buscar forças extras? Se fosse um videogame, pediríamos ajuda a alguém que já passou por aquela fase. Nos ensinariam os macetes e atalhos. Pronto! Na vida real, ninguém passou por aquele exato caminho que você está passando. Ele é inédito, só você passará por ele. Por mais semelhanças que tenha com o caminho de outra pessoa, ele é único. Com o perdão do trocadilho, não é "só uma fase".

Não há uma verdade absoluta para se obter um sorriso no rosto, ainda que o rosto em questão seja o seu próprio. Depois de certo ponto, o sorriso mais difícil de obter é o próprio. Talvez seu rosto esteja mais exigente para contrair os músculos apenas quando vale a pena. Talvez a gente tenha desaprendido a fazer nós mesmos sorrirmos com as coisas simples. Que universo é esse onde os itens que mais queríamos - como um mero sorriso - não podem ser comprados ou conquistados num caminho que já conhecemos? É, realmente a vida não é um videogame e talvez por isso, hoje em dia, eu odeie videogames. Sinto inveja dos personagens em que lá vivem.