5 de agosto de 2004

Depois de um lapso (mais que um lapso) de tempo vergonhoso (mais que vergonhoso), eu estou de volta aos posts. Lapso. Como gosto dessa palavra... Vergonhoso. Bem, dessa eu já não gosto tanto, pois não são bons momentos e motivos que nos fazem usá-la.

Saudades de posts grandes não faltam, mas nem por isso, irei matá-la agora, assim de cara. Será um post curto, apenas para preencher um espaço depois de uma falta de assunto infindável.

Aproveitando o encejo: suco de maracujá faz bem... se faz.

Abraços a todos e fiquem com Deus.

28 de julho de 2004

Não me ligo muito em letras de músicas, mas se existe alguma música que fala exatamente o meu sentimento atual, essa música é essa aí abaixo:

"Se meus joelhos não doessem mais..."
(O Rappa)

23 de julho de 2004

"Se algum dia um peixe lhe disser que você está louco, acredite nele, pois peixes não falam."

9 de julho de 2004

The 80's
Por: Fernanda Paola

"A gente não sabemos escolher o presidente. A gente não sabemos tomar conta da gente. A gente somos inútil." Isso é Ultrage a Rigor criticando a política estagnada pela qual passava o Brasil na década de 1980.

Entre Vandrés e Buarques, os anos 70 foram repletos de músicas de protesto, contra o establishment e a favor da abertura política e mental do ser humano. Já em 80, com a volta da democracia e a possibilidade de se produzir o que bem se quisesse, isso desapareceu.

O legal no começo de 80 era ser punk e anarquista. Ao contrário do engajamento musical pelo qual havia passado a década anterior, os punks eram rebeldes sim e contra o capitalismo em geral. Eles romantizavam a pobreza e pregavam
a não-necessidade do dinheiro, afinal, eles tinham repulsa por tudo o que o capitalismo representava. Um exemplo está na música "Papai Noel velho batuta", dos Garotos Podres: "Papai Noel velho batuta, rejeita os miseráveis. Eu quero matá-lo, aquele porco capitalista. Presenteia os ricos e cospe nos pobres."

Com a decaída do movimento punk durante os anos 80, o surgimento de subdivisões foi inevitável. Apareceu, então, a famosa onda new wave, com ícones como B-52´s, Devo e Talking Heads. Do lado mais pesado surge o hardcore e, num outro patamar e talvez, mais disseminada, inclusive no Brasil, a cold wave, como The Smiths, Joy Division, The Cure, Echo & the Bunnymen e New
Order, louvados até hoje.

A influência no Brasil foi geral. Capital Inicial, Legião Urbana, Plebe Rude, Paralamas do Sucesso, Violeta de Outono, Finis Áfricae são alguns dos grupos surgidos a partir das bandas de rock inglesas. Quem não se lembra do estilo Morrisey (ex-vocalista do Smiths) de Renato Russo?
Parece que a produção nos anos 90 foi muito fraca, ou qual seria outra explicação deste revival oitentista? Os discursos musicais, o modo bizarro de se vestir, a melancolia, a bagunça, a ?rebeldia? sem embasamento. Quais dessas características
têm a ver com a realidade juvenil do século 21? Talvez a melancolia do The Smiths seja de fácil identificação para qualquer jovem. Mas e o resto? Qual a apelação que Capital, Legião e outros têm nos dias de hoje? Bandas de rock que estavam quase desaparecidas, que haviam deixado seu legado para Charlie Browns, CPMs e outros rebeldes sem causas e sem idéias, de repente retornam com força total.

Pode ser exatamente esse o problema. A produção dos anos 80, por maiores os problemas que tivesse, sustentava idéias comuns entre os jovens. Hoje não. Os grupos nascem e morrem em baldes e dificilmente cantam o pensamento juvenil. Pelo contrário, eles impõem à juventude, que, por falta de opção, aceita um modo vazio de ver o mundo.

A MTV também tem uma parcela de envolvimento, com o programa Acústico, de onde sempre ressurge algum falecido.
Pode ser pela falta de opção ou por um sentimento estranho de nostalgia, mas o revival oitentista está acontecendo. É pensar se de fato estamos cada vez produzindo menos e tendo referências demais, um eco do pós-modernismo.

5 de julho de 2004

Aprendendo Alemão

A língua alemã é relativamente fácil. Todos aqueles que conhecem as línguas derivadas do latim e estão habituados a conjugar alguns verbos, podem aprendê-la rapidamente. Isso dizem os professores de alemão, logo na primeira lição.

Para ilustrar como é simples, vamos estudar um exemplo em alemão:
Primeiro, pegamos um livro em alemão, neste caso, um magnífico volume, com capa dura, publicado em Dortmund, e que trata dos usos e costumes dos índios australianos Hotentotes (em alemão Hottentotten).

Conta o livro que os cangurus (Beutelratten) são capturados e colocados em jaulas (Kotter), cobertas com uma tela (Lattengitter) para protegê-las das intempéries. Estas jaulas, em alemão, chamam-se jaulas cobertas com tela (Lattengitterkotter) e quando possuem em seu interior um canguru, chamamos ao conjunto de "jaula coberta de tela com canguru", ou seja:
(Lattengitterkotterbeutelratten).

Um dia, os Hotentotes prenderam um assassino (Attentäter), acusado de haver matado uma mãe (Mutter) de hotentotes (Hottentottermutter), a qual era mãe de um garoto surdo e mudo (Stottertrottel). Esta mulher, em alemão,
chama-se Hottentottenstottertrottelmutter e a seu assassino chamamos, facilmente de Hottentottenstottertrottelmutterattentäter.

No livro, os índios o capturaram e, sem ter onde colocá-lo, puseram-no numa jaula de canguru (Beutelrattenlattengitterkotter), mas, incidentalmente, o preso escapou.

Após iniciarem uma busca, rapidamente vem um guerreiro Hotentote gritando:
- Capturamos um Attentäter!
- Qual?? - pergunta o chefe indígena
- O Lattengitterkotterbeutelrattenattentäter - esclarece o guerreiro.
- Como? O assassino que estava na jaula de cangurus coberta de tela? - diz o chefe dos Hotentotes.
- Sim, responde o indígena - O Hottentottenstottertrottelmutteratentäter, assassino da mãe do garoto surdo e mudo.
- Ah, - diz o chefe - você poderia ter dito desde o início que havia capturado o
Hottentotterstottertrottelmutterlattengitterkotterbeutelrattenattentäter!
Palavra que qualquer pessoa de mediana inteligência pode ver que se refere ao assassino da mãe do garoto surdo e mudo que estava na jaula de cangurus coberta de tela.

Assim, através deste exemplo, podemos ver como o alemão é fácil e sintetiza muito bem todas as coisas, bastando para isso só um pouquinho de interesse.